Quando o livro fala de você…

“Tanto mais amo a humanidade em geral, quanto menos amo as pessoas em particular, como indivíduos. Muitas vezes tenho sonhado apaixonadamente em servir à humanidade, e talvez tivesse verdadeiramente subido ao calvário por meus semelhantes, se tivesse sido preciso, muito embora não possa viver com ninguém dois dias no mesmo quarto. Sei-o por experiência. Desde que alguém está junto de mim, sua personalidade oprime meu amor- próprio e constrange minha liberdade. Em 24 horas, posso mesmo antipatizar com. as melhores pessoas uma, porque fica muito tempo na mesa, outra, porque está resfriada e só faz espirrar. Torno-me o inimigo, dos homens, apenas se acham eles em contato comigo. Em compensação, invariavelmente, quanto mais detesto as pessoas em particular, tanto mais ardo de amor pela humanidade em geral.”

Fiódor Dostoiévski em “Os Irmãos Karamazov”

Imagem- Arquivo pessoal

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Diário de Bordo: aniversário de casamento na Bósnia,Sarajevo-Parte 1

Nós conhecemos em janeiro de 2004, dois anos depois nos casamos no civil na mesma data, mas só no dia 15 de julho foi a cerimônia religiosa. Para comemorar doze anos juntos, a viagem escolhida foi a Bósnia, primeiro porque minha mãe estaria visitando Sarajevo no período e, óbvio, não deixaria passar esta oportunidade. Segundo, porque gosto de explorar lugares “intocados”. Digo intocados porque Sarajevo não é um destino tão procurado pelos turistas, não é muito divulgado. Para mim, fugir de lugares comuns traz como vantagem experimentar tudo da maneira mais genuína possível, sem quebras de expectativas, sem preconceitos ou qualquer idéia pré-construída. Resumindo, Sarajevo era um ponto de interrogação para mim.

De Oslo, foram quase três horas de uma viagem tranquila, até chegar a hora de arremeter o avião. Eu amo voar, sou muito apaixonada por aviões, mas confesso que passar por esta experiência pela primeira vez foi algo que mexeu muito comigo. Já li a respeito pra tirar qualquer medinho que venha se instalar e acho que se um dia me acontecer de novo, estarei mais preparada que desta vez, porém, não acho que esquecerei tão cedo as rajadas de vento que sacudiram um avião nas duas descidas. Avião conseguiu aterrissar na segunda tentativa, palmas para o piloto e em seguida, fila para carimbar o passaporte.

Na saída do aeroporto a caminho do hotel pude observar uma cidade em construção. Prédios delapidados e marcas da guerra ainda intactos nas paredes, faixadas enegrecidas e buracos no chão.

Vinte anos depois, Sarajevo tenta se erguer de tanto sofrimento e eu acredito que o turismo é também uma forma de tocar a vida.

Ficamos no histórico Hotel Holiday Sarajevo, bem no coração da cidade. Um quatro estrelas com ótima localização, ao lado de shoppings, museus e a poucos passos da cidade velha. Em frente, a linha de bonde facilita a vida de quem deseja fazer passeios para atrações mais distantes. Além dessas vantagens, o prédio em si é uma atração histórica restaurada como você pode ver na foto abaixo o antes e o depois:

Mais fotos de agora:

Vista do quarto:

Embelezado com uma bela fonte, o lobby é amplo e conta com restaurante/ cafeteria. O quarto é incrivelmente confortável, a cama muito macia e limpa, do mesmo modo é o banheiro, tudo impecável. O café da manhã foi de meu agrado, pois pude experimentar comidas típicas da Bósnia logo pela manhã.Posso dizer que fiquei imensamente satisfeita e só não dou nota máxima por conta da saída de emergência. Ficamos hospedados no nono andar e após tocar um (falso) alarme, eu saí desesperada com o marido pela escadaria.Do segundo andar ao lobby tudo es-cu-ro e a porta da saída fechada. Me dá agonia só de lembrar daquela situação chata, nós tivemos que voltar ao primeiro andar e seguir por outra escada de emergência, esta sim, devidamente iluminada. Engraçado é que chegando na recepção, a recepcionista ficou nos olhando com cara de “wtf” pelo exagero de estarmos ali vestidos em roupões e descalços. Ali, ninguém além de nós dois. Ou seja, o povo simplesmente não acredita que possa ser algo grave. Mas… e se fosse? Por via das dúvidas, falei pro meu boy que da próxima, desejo ficar em quartos em andares mais baixos. Perdemos a vista, mas a segurança pra mim é tudo!

Um pouco do turismo fica para o próximo post!

Sequestro na Noruega

E na terra que não existe criminalidade( contém ironia) a polícia foi a público sobre um sequestro que aconteceu no fim de outubro e até agora não foi resolvido. Uma senhora de 68 anos, esposa de um bilionário norueguês foi levada de dentro de sua casa e ainda não mostrou sinal de vida. Ninguém sabe, ninguém viu. Os seqüestradores pedem 88 milhões de coroas norueguesas. Os policiais não divulgaram as informações antes por conta das ameaças. Como nada foi resolvido até agora, decidiram por divulgar.

Eu fico angustiada só de pensar em algo do tipo perto aqui de casa. Angustiada pela família e principalmente pela senhorinha, passando por uma situação como esta 😞. Que venha um final feliz 🙏

link da notícia em português

Imagem-Reprodução/ VG

Na Biblioteca: Amor Líquido, Zigmunt Bauman

Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos

Foi uma leitura muito interessante, mas não foi fácil. Na verdade, foi quase que incômoda, como quando nos falam verdades que já sabemos, mas evitamos lidar com elas ou não admitimos nem para nós mesmos.

O livro fala sobre vários assuntos relacionados com a conexão entre pessoas, muito mais amplo do que eu imaginava. Diz basicamente que as relações estão fracas a tal ponto que não queremos perder tempo com pessoas que não nos traga algo novo e desfazemos os laços “do nada”, sem explicações ou sem pensar que o ser humano tem múltiplas facetas. Queremos novidades o tempo todo e se alguém não pode nos dar, desfazer a amizade ou bloquear está ao alcance de um click: fácil, indolor(para quem faz), sem incômodos ou saias justas, apenas seguimos como se nada tivesse acontecido. Como disse acima, o livro aborda vários aspectos da vida líquida que deveriam ser estudados por mim não apenas em uma leitura. É muita coisa para levar em consideração, muito para analisar, ruminar e discutir, muito o que não entendi. Mas o que ficou foi principalmente os trechos relacionados a vida virtual e as consequências de um mundo líquido.

Eu me lembro das minhas primeiras amizades líquidas. Logo que me mudei para Noruega, a carência de familiares e amigos reais me fizeram ir em busca da comunidade brasileira daqui. Fiz amizades com algumas pessoas, participava até de um grupinho muito bacana, daquele tipo que se encontra com certa frequência para um café ou atividade parecida. Porém, no dia a dia a amizade era virtual, o contato era basicamente só pelo Fotolog(é, faz tempo!), pelo Orkut e posteriormente Facebook. Muitas amizades se desfizeram bem à francesa, seja de minha parte ou da parte do outro. A pessoa fez algo (que nem era tão grave assim) ou escreveu de uma maneira que achei desagradável ou simplesmente não respondeu. E a partir dai fiz minhas interpretações( e elas, as interpretações delas) e paramos de nos falar tanto na vida real como na virtual.

Hoje vejo tão claramente o desenrolar dos acontecimentos que sinto pena de mim/nós. A falha na interpretação de texto, a leitura sofrível ou equivocada, a inveja perante fotos da grama verde do vizinho(sem entender da existência do photoshop), a falta de privacidade, a curta duração das amizades, tudo isso me fez ver a merda que estávamos nos metendo. A verdade é que somos uma geração em teste, aqueles que quebrarão a cara em um mundo sem códigos de conduta, sem regras, leis, estudos anteriores, somos aqueles que tateiam no escuro esbarrando em acertos e erros para que a geração vindoura saiba como agir para não sentir as dores do mundo líquido.

É por essas e outras que não tenho conta pública em redes sociais. Eu uso uma conta do meu marido porque em um mundo tão dependente de Facebook, é necessário e quase que obrigatório ter um perfil para acompanhar os eventos da escola das crianças, por exemplo. Querem ter contato comigo, que mandem mensagens pelo whats ou sms para conversas curtas ( porque telefonar virou algo invasivo demais, não gosto!!!), prefiro mesmo marcar um café ou drinks, prefiro ler a pessoa por completo e não apenas suas palavras escritas.

Aqui curto e direto sobre o assunto:

No meu caso, não posso opinar em relação a vida amorosa líquida, já que conheci o meu bem ainda no início do mundo virtual. Porém, como já expliquei acima, a teoria de Bauman se aplica perfeitamente a amizades. Fiz isso no passado, continuo fazendo, embora com bem menos frequência e não é certeza que pararei de fazer.

Dou quatro flocos de neve porque, apesar da leitura ter sido interessante, por ser um assunto importante a ser abordado, não foi uma leitura prazeirosa daquelas que quero ler pra sempre. É leitura acadêmica, saca?

Avaliação:❄️❄️❄️❄️4/5

📝Trechos interessantes:

O principal herói deste livro é o relacionamento humano. Seus personagens centrais são homens e mulheres, nossos contemporâneos, desesperados por terem sido abandonados aos seus próprios sentidos e sentimentos facilmente descartáveis, ansiando pela segurança do convívio e pela mão amiga com que possam contar num momento de aflição, desesperados por “relacionar-se” e, no entanto desconfiados da condição de “estar ligado” em particular de estar ligado “permanentemente” para não dizer eternamente, pois temem que tal condição possa trazer encargos e tensões que eles não se consideram aptos nem dispostos a suportar,”

“A palavra “rede” sugere momentos nos quais “se está em contato” intercalados por períodos de movimentação a esmo. Nela as conexões são estabelecidas e cortadas por escolha. A hipótese de um relacionamento “indesejável, mas impossível de romper” é o que torna “relacionar-se” a coisa mais traiçoeira que se possa imaginar. Mas uma “conexão indesejável” é um paradoxo. As conexões podem ser rompidas, e o são, muito antes que se comece a detestá-las”

“A experiência dos outros só pode ser conhecida como a história manipulada e interpretada daquilo por que eles passaram.”

“O fracasso no relacionamento é muito freqüentemente um fracasso na comunicação.”

“Uma “relação de bolso” é a encarnação da instantaneidade e da disponibilidade. Quanto menor a hipoteca, menos inseguro você vai se sentir quando for exposto às flutuações do mercado imobiliário futuro; quanto menos investir no relacionamento, menos inseguro vai se sentir quando for exposto às flutuações de suas emoções futuras”

“Formar uma família” é como pular de cabeça em águas inexploradas e de profundidade insondável. Ter filhos significa avaliar o bem-estar de outro ser, mais fraco e dependente, em relação ao nosso próprio conforto. Ter filhos pode significar a necessidade de diminuir as ambições pessoais, “sacrificar uma carreira”,como pessoas submetidas à avaliação de seu desempenho profissional olham de soslaio em busca de algum sinal de lealdade dividida.Mais dolorosamente, ter filhos significa aceitar essa dependência divisora da lealdade por um tempo indefinido, aceitando o compromisso amplo e irrevogável, sem uma cláusula adicional “até segunda ordem” — o tipo de obrigação que se choca com a essência da política de vida do líquido mundo moderno e que a maioria das pessoas evita, quase sempre com fervor, em outras manifestações de sua existência. Tomar consciência de tal compromisso pode ser uma experiência traumática. A depressão e as crises conjugais pós-parto parecem enfermidades específicas de nossa “modernidade líquida”, da mesma forma que a anorexia, a bulimia e incontáveis variedades de alergia”

Não há sentido em comparar os sofrimentos do passado e do presen“te, tentando descobrir qual deles é menos suportável. Cada angústia fere e atormenta no seu próprio tempo”

Imagem-Reprodução

Ano que começa

De volta. Depois de duas semanas na Costa del Sol, a Noruega me recebe do jeito que a deixei: branca e fria. E com um bom tombo também , que é para me acordar pra vida. “Noruega não pega leve, Noruega é para fortes”, pensei! Me arrastei entre decorações natalinas e malas abarrotadas. Pensa num caos dentro de casa!Meio zonza preparei qualquer coisa (salsicha com arroz branco) para as meninas, um contraste gritante com a culinária maravilhosa que estávamos habituados por lá. Vida real que fala? Pois é. Fechei os olhos para a bagunça para depois fechar os olhos em um sono profundo. Pegar um vôo de madrugada tem suas consequências e a minha exaustão penso que só irá embora depois de alguns dias. Ainda assim, o show precisa continuar. As malas não se desfarão sozinhas e as mochilas escolares precisam ficar prontas para amanhã bem cedo. A malhação me espera, bem como o supermercado, as resoluções de ano novo, os compromissos a serem agendados, os planos e os meus pequenos projetos da vez. Três deles quero começar para já!

👉🏼O primeiro é a organização de casa. Eu já fiz um primoroso trabalho em 2017 arrumando tudo bonitinho no closet e na garagem, mas depois de conhecer a Marie Kondo, vejo que ainda posso melhorar e muito!

As técnicas de desapego, organização e praticidade no lar me inspiraram bastante e eu não vejo a hora de colocar essa casa de pernas para o ar!!! Que delícia! Se você tiver uma casa para organizar, é só me chamar! Ou assistir a Marie Kondo! Tem na Netflix, dicas incríveis! Sem falar que ela é uma japa liiiiinda de se ver, parece uma boneca de tão perfeitinha e adorável!!

👉🏼O segundo projeto tem a ver com economia doméstica. Se em 2018 eu superei o vício na comida, 2019 eu vou superar o vício em compras. Roupas, cosméticos, perfumes, calçados, tudo precisa ser muito bem avaliado. Como atualmente eu tenho MUITA coisa, o meu objetivo principal é não comprar. Quero o que já tenho e me sentir feliz com isso, evitando ao máximo visitar sites e lojas físicas. Até os e-mails com propagandas eu fiz questão de me livrar, descadastrando o meu endereço eletrônico das lojas favoritas. Muito melhor usar o dinheirinho com algo que realmente me fará feliz, como em uma viagem ou em um passeio com minhas crianças…

👉🏼E o terceiro. Bem, falando em felicidade, eu decidi também focar na minha gratidão, nas boas lembranças e nos momentos que eu gostaria de imortalizar. Eu já faço isso com fotos, mas eu gostaria de colocar minhas alegrias em palavras. É por isso que o pote da felicidade ou Happiness Jar Project é algo que eu desejo ter como rotina. Cada dia um motivo para sorrir e ser feliz. Depois de um ano é só ir lá, ler o papelzinho e ser feliz de novo. Hoje, por exemplo, a minha felicidade do dia é ter chegado em casa bem, por tudo ter corrido sem contra tempos ou experiências desagradáveis.

Se conseguir pelo menos um desses projetos, já estou no lucro! E você? Algum projeto/ resolução de ano novo?

Imagem-Reprodução

Lição do dia: Da Cobra

“Muitas vezes procuramos conscientemente algo que irá nos causar sérios problemas. Eduardo Vieira conta uma interessante fábula a respeito.

Um homem cruza uma tempestade de neve, quando escuta um ruído. Vê uma cobra, ferida e quase morta de frio. “Me ajuda!”, diz ela.

“Você é perigosa”, responde o homem.

“Não vê que estou quase morrendo, e não posso lhe fazer mal nenhum?”, implora a serpente.

Compadecido, o homem a recolhe, e leva para a sua casa.

Durante algum tempo convivem em harmonia. Mas um dia, enquanto acariciava a cabeça da cobra, ele recebe uma mordida fatal.

“O que é isso?”, diz o homem, a beira da morte. “Salvei sua vida, lhe dei comida, carinho – e agora você me envenena?”

E a serpente responde: “mas você sabia que eu era uma cobra, não sabia?”

Bom dia para você que também acabou de ter um livramento…

O texto é daqui

Réveillon com crianças pequenas…

É réveillon no quarto de hotel porque não existe vontade/coragem pra forçar a barra para uma criança de 6 anos ficar acordada além da meia-noite. Ela até ficaria de bom grado, só que eu teria que arcar com as consequências. E não, um escândalo no meio da rua foi algo que não quis arriscar. Então, o jeito foi comprar uns petiscos, uma bebida e uma sidra Ceresé para brindar o novo ano em Sevilla.

Não teve glamour algum, mas..

Teve preguiça. Teve um momento de descanso da qual sou eternamente grata, afinal, coloquei a Netflix em dia(Black Mirror:✔️! Bird Box :✔️! You :✔️!Roma: em progresso!). Teve mini pânico por constatar que a área de nossa hospedaria estava longe do show de fogos da virada, de modo que cada pequeno foguete que aparecia em nossa janela acidentalmentm era festejado como se fosse uma cascata luminosa de Copacabana. Tudo pelos pequenos olhinhos exigentes!

Teve choro e pirracinha da mais nova, depois da virada. Ela simplesmente não quereia ir para cama mesmo caindo de sono.Típico! Antes no quarto de hotel que na rua!Teve saudade da família, dos festejos do lado de lá! Não tem jeito, revéillon bom é revéillon com todo mundo por perto.É com passas no arroz, é com o tio do pavê, com minha mãe descendo até o chão depois da tequila subir-lhe a cabeça rsrsrs!!!! Mesmo assim, teve um contentamento. A gratidão pelo que foi e por tudo de bom que ainda virá, as renovações dos sonhos e projetos, análises de acertos e erros e reflexões sobre questões pessoais, sobre familiares do Brasil, sobre o medo que tenho de levar uma mordida ao ajudar… 2019 promete!!!

Imagem-Arquivo pessoal